| O Tempo |
| Uma coisa é falar da passagem do tempo em termos das convenções que utilizamos
para medi-lo, outra é falar do tempo transcendental, sem base física, formado dentro da
consciência humana. A passagem desta grandeza tão particular, que só pode ser medida
subjetivamente, através de movimentos cósmicos, aos quais estamos intimamente ligados,
e tão familiarizados, comanda e altera, drasticamente, a nossa existência em todos os planos,
e é inerente ao homem e suas possibilidades supra-animalescas. É obvio que os animais de
outros níveis, que não o humano, podem perceber as passagens de claro e escuro, que dão a
base de nossas medições temporais, mas só o ser humano é capaz de subdividir este oscilar,
esta passagem, e criar subdivisões à mesma, e criar instrumentos e possibilidades de medi-las
mesmo na ausência das variações de claridade. Esta capacidade tão particular aos seres humanos é ancestral e leva-nos a perguntar se não é uma capacidade nata dos humanos, uma evolução natural, nascida de uma relação entre a possibilidade de pensar e as variações de intervalos entre os fenômenos internos e externos ao homem. Sentimos o tempo, ainda mais do que o percebemos nos medidores e somos imemoriais escravos de sua evolução e desenvolvimento. É muito provável que tudo tenha começado, com expressões que ainda usamos com nossas crianças em nossos dias atuais : "Hora de acordar"; "Hora de comer"; "Hora de sair"; "Hora de dormir"; Seguindo-se da natural comparação das características dos lugares, das regiões, em que nossos antepassados viviam : "Época da folhas secas"; "Época do Calor"; "Época do frio"; "Época do aparecimento das flores", e com a percepção de que estes períodos seguiam-se em um repetição circular, a noção de ano, sabe-se lá qual o nome que foi dado inicialmente ao ano, mas sua instituição parametrizou a existência dos entes da comunidade, e balizou sua existência, criamos a noção de idade e de duração da vida ! A noção de renascimento que nos é transmitida pelo ciclo circular das estações, gerou um novo conceito, a do ano novo ! Renascemos, a cada repetição do conjunto das estações, é o aniversário universal, o dia em que podemos comemorar o aniversário universal, onde todos festejam mais um período de vida, vencido juntamente com todos os seus obstáculos e dificuldades. Época de sorrir e repensar, limpar gavetas para começar novamente mais leves. Revivemos em gloria a todo inicio de ciclo. Rimos, sorrimos, bebemos e abraçamos estranhos. Lembramos de entes queridos e distantes e sonhamos com um ano melhor e mais cheio de realizações. Basicamente comemoramos a nós mesmo e a nossa capacidade particular, ou social, de sobrevivermos em nosso mundo inóspito e o vencermos, chamando a cada novo reiniciar de ano, pessoas mais velhas de crianças! Tornamo-nos, primeiro jovens, depois adultos, e pôr fim velhos, ao correr de nossa estrela vermelha pelos nossos céus, podemos até parar de contar os anos no dia do aniversário de nossos nascimentos, mas nunca abandonamos esta mesma contagem na virada de ano ! O ser humanos, mais que um animal racional, é um animal temporal, e sentimental, o que nos permite vibrar e nos imaginar melhores sempre, sempre, sempre, sempre e sempre. |